Em Navegantes, a relação com o mar, com as embarcações e com a memória da cidade ganha forma pelas mãos de Aldemir José dos Santos, artista navegantino que transformou sua habilidade manual em um importante registro cultural. Radialista, jornalista e apaixonado pela história local, Aldemir é reconhecido pelo trabalho detalhista na criação de maquetes, réplicas miniaturizadas de embarcações e dioramas.

Sua trajetória artística começou ainda na infância, quando criava pequenos barcos de maneira simples e intuitiva. Com o tempo, a curiosidade deu lugar à técnica, e a técnica se transformou em uma produção rica em detalhes, pesquisa e sensibilidade.

Cada peça criada por Aldemir revela não apenas talento artesanal, mas também um olhar atento para a história, para o cotidiano da cidade e para a importância das embarcações na formação da identidade navegantina.
Ao longo dos anos, o artista construiu um acervo particular com réplicas de navios, barcos, ferry boats, lanchas e cenas que retratam episódios e paisagens ligadas ao universo marítimo. Entre seus trabalhos, está uma maquete de Navegantes na década de 1970, atualmente exposta no CIC, que permite ao público revisitar visualmente um período importante da história do município. Em sua casa, Aldemir também preserva outras réplicas ligadas à cidade, como a representação da Procissão de Nossa Senhora dos Navegantes, uma das manifestações religiosas e culturais mais simbólicas da comunidade.
Seu trabalho mais recente é a réplica do navio Pallas, navio cargueiro que naufragou em Navegantes em 25 de outubro de 1893.

Antes dessa obra, Aldemir também reproduziu uma embarcação conhecida como “papa-lavagem”, criada para presentear a amiga e artista plástica Ilva Santos. A inspiração veio de uma entrevista concedida por Ilva à página Museu de Navegantes, na qual ela relembrou que, em 1975, atravessou o rio em uma bateira desse tipo quando estava grávida de sua filha.

A obra reforça uma das principais marcas de sua produção: transformar fatos históricos, memórias afetivas, relatos pessoais e episódios marcantes da cidade em peças que ajudam a preservar e contar a trajetória do município.

Entre suas obras de destaque também estão representações de naufrágios, embarcações históricas e maquetes que ajudam a contar parte da história de Navegantes e da região. Uma de suas criações mais conhecidas é a réplica do Titanic, produzida com medidas, proporções e detalhes que demonstram o rigor e a dedicação presentes em seu processo criativo.
Aldemir também é membro da ABRANE — Associação Brasileira de Nautimodelismo Estático, com sede em Santos, São Paulo. Sua produção já foi comparada a trabalhos de referência nacional e internacional, evidenciando a qualidade e a singularidade de suas obras. Ao longo de sua caminhada, suas peças participaram de exposições em diferentes espaços, como escolas, prefeitura, bancos, correios, aeroporto, shopping center, Rotary Club e eventos de artesanato, levando a arte navegantina a diversos públicos.

Mais do que miniaturas, as obras de Aldemir são registros de memória. Elas preservam detalhes de uma cidade marcada pela pesca, pelo transporte marítimo, pelo porto, pela religiosidade popular e pela vida próxima ao rio e ao mar. Seu trabalho aproxima as novas gerações de histórias que poderiam se perder com o tempo, transformando lembranças, fotografias, relatos e pesquisas em peças que podem ser vistas, compreendidas e admiradas.

A arte de Aldemir José dos Santos representa a força do talento local e a importância de valorizar quem dedica a vida a preservar a cultura de sua cidade. Com paciência, criatividade e precisão, ele construiu um legado que une arte, história e identidade, mantendo viva a memória de Navegantes por meio de cada embarcação, cada cenário e cada detalhe criado em suas maquetes.

Texto e fotos: Redação JC